A primeira referência escrita a Sintra surge no século X, através do geógrafo árabe Al-Bakrî, que descreve a existência de dois castelos na região: um castelo situado no alto da serra, associado ao atual Castelo dos Mouros, e outro na zona baixa, onde provavelmente existia uma residência dos governadores muçulmanos. Este último estaria localizado na área onde hoje se encontra o Palácio Nacional de Sintra.
Com a conquista cristã de Sintra, em 1147, o local passou para o domínio cristão e, ao longo dos séculos seguintes, foi alvo de várias campanhas de obras, destacando-se sobretudo as intervenções promovidas durante os reinados de D. Dinis, D. João I, D. Manuel I e D. João III.
Um palácio construído ao longo dos séculos
- A campanha de D. João I (século XV): D. João I promoveu uma importante reconstrução do palácio, que continuou durante o reinado de D. Duarte. A esta campanha estão associadas algumas das partes mais características do edifício, incluindo a área central do palácio, a Sala dos Cisnes, a Sala das Pegas e a grande Cozinha Régia. Esta última destaca-se pelas suas duas enormes chaminés cónicas, com cerca de 33 metros de altura, que constituem atualmente um dos símbolos mais reconhecíveis do palácio.
- A campanha manuelina (final do século XV e início do século XVI): Durante o reinado de D. Manuel I, o palácio foi ampliado e enriquecido com novos espaços e uma grande quantidade de elementos decorativos. Destacam-se a Ala Manuelina, o desenvolvimento do Pátio da Carranca e a construção da Sala dos Brasões, concluída por volta de 1520. O período manuelino ficou também marcado pela utilização de numerosos azulejos hispano-mouriscos, alguns dos quais foram encomendados a oficinas de Sevilha.
- Outras intervenções: O palácio continuou a ser alterado e enriquecido nos reinados seguintes. D. João III também promoveu intervenções no edifício, contribuindo para a configuração que hoje conhecemos.
As salas emblemáticas e o seu significado
- 👑 Sala dos Brasões: Construída durante o reinado de D. Manuel I e concluída por volta de 1520, é uma das salas mais importantes do palácio. A sua cúpula oitogonal em madeira apresenta, ao centro, as armas de D. Manuel I, acompanhadas pelos brasões dos seus oito filhos e pelas armas de 72 famílias da nobreza portuguesa. A sala constitui uma importante manifestação do poder régio e da organização hierárquica da sociedade portuguesa durante o período manuelino.
- 🐦 Sala das Pegas: Esta sala é conhecida pelas 136 pegas representadas no teto, cada uma segurando no bico uma faixa com a divisa de D. João I, “Por Bem”. Existe uma tradição segundo a qual as pegas estariam relacionadas com um episódio em que D. João I teria sido surpreendido a beijar uma dama da corte, levando o rei a associar as aves aos mexericos da corte. No entanto, esta explicação deve ser entendida como uma lenda ou tradição, pois não existe confirmação histórica definitiva de que esse tenha sido o verdadeiro significado das pinturas.
- 🦢 Sala dos Cisnes: É uma das maiores e mais importantes salas de aparato do palácio. O seu teto de madeira está decorado com cisnes brancos, associados à elegância e à representação do poder régio. A sala era utilizada para importantes cerimónias, receções e banquetes da corte.
- 👑 Quarto de D. Afonso VI: Este espaço está associado a um dos episódios mais marcantes da história do palácio. Depois de ser considerado incapaz de governar, D. Afonso VI foi afastado do poder pelo seu irmão, o futuro D. Pedro II, e permaneceu no Palácio de Sintra durante cerca de nove anos, até à sua morte, em 1683.
Valor artístico e patrimonial
O Palácio Nacional de Sintra possui um extraordinário valor histórico e artístico, destacando-se pela conservação de um dos maiores conjuntos de azulejaria mudéjar in situ da Europa. O terramoto de 1755 provocou danos importantes no edifício, tendo sido necessárias obras de reconstrução e restauro posteriormente.
Atualmente, o Palácio Nacional de Sintra é um dos monumentos mais emblemáticos de Portugal e um dos lugares de visita obrigatória em Sintra. A sua mistura de história, arquitetura, azulejaria e curiosidades faz com que cada sala conte uma história diferente, tornando a visita numa verdadeira viagem pelo passado português.
Localização
Centro Histórico de Sintra.
Como chegar
A partir de Lisboa, apanhe o comboio da Linha de Sintra até à estação de Sintra. A partir daí, o Palácio Nacional de Sintra fica a cerca de 10 minutos a pé do centro histórico. Em alternativa, pode utilizar os autocarros 434 ou 435, que fazem a ligação entre a estação ferroviária e o centro histórico.
Preços dos Bilhetes
- Adulto (18–64 anos) 13€
- Jovens (6–17 anos) e seniores (65+) 10€
- crianças com menos de 6 anos – gratuito
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Duração da visita : cerca de 1h30 a 2h
